Um Olhar Psicanalítico sobre a Amamentação de Bebês Prematuros na UTI Neonatal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20435/pssa.v13i2.1194

Palavras-chave:

prematuridade, amamentação, psicanálise, equipe de saúde, UTI neonatal

Resumo

Este artigo consiste em um estudo teórico sobre a complexidade dos fatores físicos, psíquicos e socioculturais implicados na vivência das mães de bebês prematuros em relação à amamentação, na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Busca-se problematizar a prática de prescrever a amamentação às gestantes e lactantes, sem levar em consideração aspectos subjetivos e inconscientes que influenciarão na adesão a esta recomendação. Os discursos dos profissionais de saúde, apoiados no excesso de informações científicas sobre a amamentação, bem como argumentos moralistas que circunscrevem este tema, não são suficientes para que se estabeleça o aleitamento materno. A amamentação vai além de um processo meramente fisiológico, exigindo da mulher condições psíquicas favoráveis para que ela possa desempenhar o papel de nutriz. Pode haver casos em que não amamentar a criança no seio traga mais benefícios à saúde mental da díade, sem que isso signifique ser a mãe menos zelosa ou cuidadosa do que as demais.  

Biografia do Autor

Andréa Leão Leonardo-Pereira de Freitas, Universidade de Brasília (UnB)

Doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura na Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Eliana Rigotto Lazzarini, Universidade de Brasília (UnB)

Doutora em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente é professora do departamento de Psicologia Clínica na UnB.

Eliane Maria Fleury Seidl , Universidade de Brasília (UnB)

Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente é professora do departamento de Psicologia Clínica na UnB.

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