A Objetalização no Hospital e os Tempos de Covid: Uma Elaboração Psicanalítica de Experiências une élaboration théorique de la psychanalyse, à partir de la pratique institutionnelle
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Visou-se identificar, a partir da teoria psicanalítica, questões advindas da clínica institucional em um hospital universitário no contexto da covid-19. Os pontos abordados no presente trabalho levaram-nos a elaborar teoricamente um sintoma institucional: a objetalização. Tal conceito já foi utilizado por diversos autores e diz respeito à destituição do sujeito que, nos mais diferentes contextos, pode vir a ser tomado como objeto não apenas das práticas, mas também nos discursos. Levantamos a hipótese de que os efeitos da pandemia vivida em 2020, que assolou o hospital em que atuamos, escancarou a objetalização não apenas dos pacientes e de suas famílias, mas também das equipes, que, em sua maioria, procuraram esmerar-se sobremaneira para fazer frente à conjuntura. Desse modo, sustentamos que a objetalização, que vimos a olhos nus no contexto da pandemia, já estava latente na prática hospitalar, mesmo em tempos menos sombrios.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os artigos publicados na Revista Psicologia e Saúde têm acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições, desde que o trabalho original seja corretamente citado.
Referências
Andrien, L. (2007). Combattre l’objectalisation du sujet. http://www.psychasoc.com/Textes/Combattre-l-objectalisation-du-sujet
Barbosa, A., Nascimento, C., Dias, L., Espírito Santo, T., Chaves, R. & Fernandes, T. (2020). Processo de trabalho e cuidado em saúde mental no Centro de Atenção Psicossocial da UERJ na pandemia de COVID-19. Brazilian Journal of Health and Biomedical Sciences (BJHBS), 19(1),11–19. DOI: https://doi.org/10.12957/bjhbs.2020.53527
Bertonzzin, M. (2016). O sujeito contemporâneo no discurso de alguns autores da psicanálise [Dissertação de mestrado em Psicologia, Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo]. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-08112016-105847/publico/BERTONZZIN_corrigida.pdf
Darriba, V., & Oliveira, F. (2019). Um lugar possível para a psicanálise no contexto médico: Sobre a construção do trabalho em âmbito multidisciplinar na Unidade de Pediatria do HUPE. In Residência em Psicologia Clínica Institucional: Práxis e formação (pp. 157-168). Juruá.
Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. (2020, março). Página 1 do Poder Executivo. https://pge.rj.gov.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=MTAyMjA%2C
Drummond, C. (2007). A Criança objetalizada. In C. Drummond, Almanaque On-line – Revista Eletrônica do IPSM-MG, 1(1), 1-6. https://www.institutopsicanalise-mg.com.br/images/almanaque-anteriores/almanaque-01/A-criana-objetalizad15-laudas-.pdf
El Dib, R. (2007). Como praticar a medicina baseada em evidências. Jornal Vascular Brasileiro, 6(1), 1- 4. https://www.scielo.br/pdf/jvb/v6n1/v6n1a01.pdf DOI: https://doi.org/10.1590/S1677-54492007000100001
Faria, S. (2018, 16 julho). Menina problema: A objetalização da criança no mundo contemporâneo. Psicologado: Artigos de Psicologia. https://psicologado.com.br/abordagens/psicanalise/menina-problema-a-objetalizacao-da-crianca-no-mundo-contemporaneo
Freud, S. (2020). Considerações contemporâneas sobre a guerra e a morte. In S. Freud, Cultura, sociedade, religião: O mal-estar na cultura e outros escritos (M. Moraes, Trad., Obras incompletas de Sigmund Freud, Coordenação Gilson Iannini, Pedro Heliodoro Tavares). Grupo Autêntica. (Trabalho original publicado em 1915).
Fundação Oswaldo Cruz. (2020). Covid-19: Fiocruz analisa condições de trabalho de profissionais de saúde. https://agencia.fiocruz.br/covid-19-fiocruz-analisa-condicoes-de-trabalho-de-profissionais-de-saude#:~:text=As%20categorias%20profissi"onais%20com%20maiores,unidades%20de%20sa%C3%BAde%20(9.385)
Lacan, J. (1995). O Seminário, livro 4: a relação de objeto. Jorge Zahar Editor Ltda. (Originalmente publicado em 1956-1957).
Latorraca, C., Pacheco, R., Martimbianco, A., Pachito, D., & Riera, R. (2018). AGREE II – Uma ferramenta para avaliar a qualidade e o relato de guidelines. Estudo descritivo. Diagnóstico e Tratamento, 23(4), 141–146. http://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/04/987476/rdt_v23n4_141-146.pdf
Lima, C. (2016). “Não aceito”: A liberdade feminina e os avessos do discurso. Correio da Associação Psicanalítica de Porto Alegre – APPOA. http://www.appoa.com.br/correio/edicao/262/8203nao_aceito_a_liberdade_feminina_e_os_avessos_do_discurso/400
Manso, R., Coutinho Jorge, M. A., & Alberti, S. (2016). Da extimidade da Psicanálise e seu lugar na polis. Revista Estudos e Pesquisa em Psicologia, 16(4), 1078–1097. https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/33205/23534 DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2016.33205
Ministério da Saúde (2020). Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial Doença pelo Coronavírus COVID-19. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/boletins-epidemiologicos-1/set/boletim-epidemiologico-covid-32-final-23-09_18h30.pdf
Pimenta, A., & Ferreira, A. (2003). O sintoma na medicina e na psicanálise – notas preliminares. Revista Médica de Minas Gerais, 13(3), 221–228. http://rmmg.org/artigo/detalhes/1554
Piza, L., & Alberti, S. (2014). A criança como sujeito e como objeto entre duas formas de investigação do abuso sexual. Psicologia Clínica, 26(2), 63-85. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-56652014000200005&script=sci_abstract&tlng=pt DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-56652014000200005
Rezende, L. C. S., Gomes, C. S., & Machado, M. E. da C. (2014). A finitude da vida e o papel do psicólogo: Perspectivas em cuidados paliativos. Revista Psicologia e Saúde, 6(1), 28–36. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2177-093X2014000100005&lng=pt&tlng=pt
Santos, R., Fonseca, T., & Neto, F. (2020). Reforma psiquiátrica e lógica diagnóstica psicanalítica: Discussões acerca de uma possível tessitura. Ágora, 23(1), 12–20. http://dx.doi.org/10.1590/1809-44142020001002 DOI: https://doi.org/10.1590/1809-44142020001002
Torezan, Z., & C. Facci, F. (2011). O Sujeito da Psicanálise: Particularidades na Contemporaneidade. Revista Subjetividades, 11(2). https://periodicos.unifor.br/rmes/article/view/4993
Villardo, A. M. S., Motta, C. S., Alberti, S., & Correia, S. (2011). A psicanálise e a prática multidisciplinar no hospital, na clínica com adolescentes. Revista Adolescência e Saúde, 8(2), 56–62. https://cdn.publisher.gn1.link/adolescenciaesaude.com/pdf/v8n2a08.pdf
Weizman, E. (2005). On Extraterritoriality. Arxipèlag d’excepcions: Sobiranies de l’extraterritorialitat Conference Proceedings – Centre de Cultura Contemporània. http://www.publicspace.org/ca/text-biblioteca/en g/b011-on-extraterritoriality